Eduard Khil, 75 anos, é responsável pelo último sucesso viral no YouTube. Através do seu neto de 13 anos, soube com surpresa que um tema que tinha gravado em 1966 estava a ser cantado nos vários cantos do globo.
Com o título “Estou tão contente por regressar finalmente a casa”, o trabalho em vídeo vale pela combinação de falta de letra na música e interpretação “optimista” em palco. Trata-se de um jazz swing vocalizado de quase três minutos no qual Eduard Khil mostra o bom domínio de timbre e interpretação vocal.
Eduard Khil, agora conhecido como o “Sr Trololo”, foi um cantor de renome nas décadas de 60 e 70 na Rússia comunista. O sucesso “vocalizado” tem uma história. Terá sido escrito em 1966 com uma letra que relatava um momento feliz entre um cowboy e a sua companheira na pradaria. Com receio que fosse censurada, o intérprete e o compositor optaram por não incluir letra.
Com o sucesso online, Eduard Khil tem recebido diversas propostas para voltar aos palcos. Foi entrevistado pelos media e já deixou mensagens no YouTube aos seus novos fãs. O vídeo tem recebido interpretações por populares e não só. Christopher Waltz, galardoado com o Óscar de melhor actor secundário, apareceu num programa americano como Sr. Trololo.
A Pop tem uma nova estrela: Lady Gaga. Um centro da galáxia que mexe com os media, gostos das pessoas e lucros das produtoras de música e espectáculos.
A ousadia sexual e rebeldia rosa, boas armas de divulgação na era actual, pululam na vida/performance de Lady Gaga. O vídeo que promove o trabalho mais recente, “Telephone”, foi “fait divers” nos media pelos “frescos” lesbianos. A RTP emitiu uma breve reportagem.
Lá fora, “Telephone” é histórico não pelas cenas lésbicas, mas pelas marcas que divulga directamente. Tem menções à Virgin Mobile, Heartbeats headphones e Polaroid. O primeiro videoclip com “product placement”?
Marco Paulo canta em “Taras e Manias” alguns dos versos mais marcantes da música portuguesa e que, numa versão liberal de Tim Burton, se poderiam aplicar à artista: “Uma lady na mesa / uma louca na cama / na maior safadeza / você diz que me ama”.
Lady Gaga, dança, fala e é polémica. Ah, e também sabe cantar. Mas o que é que isso interessa na música actual?
Melech Mechaya vêm de Almada e para onde vão, ainda não sabemos. Realizam música Klezmer, sons que vão da fusão de ritmos ciganos à tradição judaica. Estes podem-se ouvir em Israel, pela Europa de Leste ou mesmo nos nova-iorquinos Gogol Bordelo e na banda de Emir Kusturica, com devidos descontos.
Em dois anos, Melech Mechaya lançaram um EP com o nome da banda e um primeiro longa duração. “Budja Ba”, editado pela Ovação em 2009, tem 16 faixas, 52 minutos e cinco autores endiabrados: João Graça (Violino), Miguel Veríssimo (Clarinete), André Santos (Guitarra), João Sovina: (Contra-baixo) e Francisco Caiado ( Percussão).
À beira da segunda década do século XXI, deparamo-nos com uma fervilhante cena de sonoridades étnicas e de fusão na música portuguesa.
“Virou!” dos Diabo na Cruz não é um álbum qualquer. É o fim da busca e a resposta à pergunta: é possível mesclar rock com música tradicional portuguesa e, ainda assim, acrescentar criatividade e dinamismo? As tentativas que tinham ouvido não me convenciam.
Actualmente, as gerações na casa dos 20 e 30 anos têm uma boa abertura à música portuguesa. Outras, nas décadas finais do século XX, viveram na onda anglo-saxónica e geraram anticorpos a sons tradicionais, ao Fado, a canções na língua materna, etc. Este ciclo contribui ainda para que na rádio se passe pouca música feita de e para portugueses.
Os Diabo na Cruz não são nova música urbana, como Deolinda e Virgem Suta. Não são reinterpretações populares de velhos cantares como Brigada Victor Jara e Ronda dos Quatro Caminhos, nem fusões pan-europeias com Dazkarieh e Uxu Kalhus. São rock com travo estético e autoral nacional.
Letras, métrica, tonalidade, ritmo, interpretação e, sobretudo, composição, fazem do primeiro álbum de Diabo na Cruz um trabalho singular. Haverá um pré e um pós “Virou!” na cultura nacional. Feita a avaliação dos últimos 10 anos, escolho dois álbuns marcantes no rock português: Humanos e Diabo na Cruz.
A banda de Jorge Cruz, B Fachada, Bernardo Barata, João Pinheiro e João Gil inicia hoje no São Jorge em Lisboa, uma digressão de 10 datas. Oiça o álbum, vá aos espectáculos e avalie por si.
Os OK Go, banda americana conhecida pelos seus vídeos virais, anunciou a saída da EMI e criação da sua própria editora. A mudança terá sido espoletada por um diferendo quanto à estratégia de promoção da banda… no Youtube.
Em 2006, o quarteto de Los Angeles tornava-se um fenómeno mediático devido à internet. O vídeo “Here It Goes Again” tem já mais de 50 milhões de visualizações e foi amplamente divulgado na blogoesfera e posteriormente nos medias tradicionais. Os OK Go são um dos primeiros exemplos de artistas a saber usar o Youtube para promoção global e estratégica.
Entretanto, a editora desactivou a opção de partilha de vídeo (”embedding”) de “Here It Goes Again” e de outros trabalhos dos OK Go. Uma questão de direitos de autor e… de fonte de rendimento da EMI. Resultado, a banda teve menos projecção na web e há vídeos que não ultrapassam a 10 milhões de visualizações.
O vocalista guitarrista, Damian Kulash, discutiu a situação na imprensa. Na sua tese, é um confronto entre novo versus velho modelo de negócio. Segundo ele, este último representa um tiro no pé da indústria discográfica.
O último single, “This Too Shall Pass” tem permissão de partilha. Resultado, numa semana tem mais de 7 milhões de visualizações.
Beyoncé Knowles e Justin Timberlake são os grandes nomes da música pop da primeira década do século. São performers com carácter para vencer em todas as indústrias audiovisuais a que sejam solicitados. Como Elvis ou Frank Sinatra modernos, cantam, dançam, aparecem no cinema e TV, fazem filantropia, dão nome a colecções de roupa e estão no Twitter.
Juntos gravaram “Until the End of Time”, tema que faz parte do CD bónus de “FutureSex/LoveSounds” de Justin Timberlake. Mas este não é o seu dueto mais comercial.
A 15 de Novembro de 2008, Justin e Beyoncé cruzaram-se num sketch do Saturday Night Live. A senhora Knowles actuou com o tema “Single Ladies” com um grupo de dançarinos muito especial. O resultado foi viral na internet e conta com alguns milhões de visualizações a menos do que o vídeo original. Denota o à vontade com que as duas pequenas grandes estrelas da pop estão para as artes e espectáculos.
As redes sociais virtuais entraram nas nossas vidas e geram vários tipos de reacções. Há quem as veja como um centro útil de ligações capaz de potenciar o nosso lado humano e/ou comercial. Há quem as interprete como espaços de procrastinação, de difusão de mediocridade e irresponsabilização.
Michael Nyman, autor da banda sonora “O Piano”, fez do Facebook a rede de inspiração para o novo trabalho, “The Glare”. A rede social que conta com a presença de mais de 2 milhões de utilizadores em Portugal, uniu o compositor minimalista ao vocalista soul Davis McAlmont.
Separados no espaço e do tempo, o Facebook foi o elo de aproximar pessoas que já se conheciam. Trocaram ideias e levaram à forja o novo CD do compositor. “The Glare” é um trabalho marcado pela contemporaneidade e pelos novos canais de transmissão. Davis McAlmont assume a utilização do Youtube para inspiração de algumas letras.
Inspiração ou grande jogada de marketing, o novo álbum de Michael Nyman dificilmente deixará de ser associado à rede social que marca a actualidade, o Facebook.
Os EUA têm sido a força motriz da solidariedade feita de música. “Hope For Haiti Now”, acção organizada por George Clooney teve actuações de U2, Jay-Z, Wyclef, Justin Timberlake, Beyoncé, Bruce Springsteen, Madonna, Coldplay e outros. O espectáculo foi editado em formato digital no Sábado. Em dois dias chegou a número um da tabela Billboard ao serem descarregados 171 mil exemplares.
“We are the World”, tema escrito por Lionel Richie e Michael Jackson, ganha vida pelo Haiti 25 anos depois de ter sido originalmente gravado. Jennifer Hudson, Will Smith, Jason Mraz, Sugarland, Sheryl Crow, Justin Bieber e outros músicos conhecidos vão emprestar a voz a esta acção de solidariedade.
Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 29.01.2010