Entrevista a Paulo Costa da pastelaria Low-Costa.come


entrevista realizada para o site Low Cost Portugal

Pastéis de nata a 40 cêntimos, bebidas a 50 cêntimos e cachorros a 1 euro? Sim são preços possíveis na pastelaria Low Costa . Come de Oliveira de Azeméis, que se assume “low cost”. A ideia nasceu de dois sócios irmãos que já trabalhavam na área e que estudaram gestão de hotelaria no segmento baixo custo. Entrevistámos Paulo Costa, um dos que levou a teoria económica à prática em bolos e refeições.

Como nasceu a ideia de adaptar o modelo de negócio low cost a uma pastelaria?
No cenário de conjuntura atual, só um conceito de baixo preço podia realmente revolucionar uma loja falida que tínhamos em Oliveira de Azeméis. Após uma falência da gerência a quem tínhamos vendido a loja, surge assim a ideia no seguimento de um trabalho que fiz para a minha tese final da licenciatura em gestão hoteleira, que acabei recentemente, sobre hotéis low-cost.

Como conseguem praticar preços low cost, ou seja, em que economizam?
Sou pasteleiro e dou cursos a adultos em contexto de trabalho, a ideia era  aproveitar esta mão-de-obra para me dar uma ajuda no fabrico. Contrataria 2 funcionárias, colocaria copos descartáveis e evitaria tempo perdido a lavar loiças. Na realidade, com a abertura ainda há 8 dias. Tive de reajustar o plano inicial e hoje tenho 2 ex-alunas contratadas a tempo completo no fabrico a trabalhar. No balcão temos mais 5 pessoas isso foi por termos duplicado o meu objectivo de faturação, que era otimista.

Os produtos tipo bebidas, são de marca branca (Lidl, Pingo Doce, Continente) e fazemos as compras em lojas de hard discount (Mini Preço, etc).

So temos 6 tipos de bolos e 1 tipo de pão para não distrair o fabrico com variedades. Temos preços fixos e simples. Negociamos com fornecedores e pagamos a pronto.

A pastelaria abriu há poucos dias. Como tem sido a afluência e quais têm sido as principais reações?
A afluência tem sido brutal excedemos no dobro as nossas mais otimistas previsões. As pessoas sentem-se felizes por poder novamente comprar produtos e verem o seu poder de compra a aumentar.

A explicação foi-me dada por a minha professora de economia quando fizemos (eu e o meu sócio e irmão Miguel Costa) uma licenciatura em Gestão Hoteleira. “O preço de Equilibrio” é o valor pelo qual o cliente está disposto a pagar e quem presta o serviço,  disposto a vender. Isso quer dizer que se baixamos as margens podemos vender mais e ganhar mais por menos. Simples e óbvio.

Que preços estão a praticar em pastelaria, pão, refeições, etc?
O pão é vendido a 7 cêntimos e todos os pastéis 40 cêntimos. A 50 cêntimos vendemos  bebidas, águas, minis, iogurtes ½. Leite, salgados, folhados de carne, queijo, salsicha ,pão com chouriço, sopa, etc. Sandes de panado, delicias, atum, e cahorro custam 1 euro. Bolos de aniversário custam 5,99 euros, sem necessidade de pesar.  O bolo Rei custa 4.99 euros a unidade de 800gr e a francesinha 3,99 euros.

A praticar preços low cost, não recebem críticas por parte de outras pastelarias / restaurantes de Oliveira de Azeméis?

Claro que sim, estamos em Portugal e quando se faz alguma coisa diferente, as pessoas desconfiam e julgam que tem de existir uma “trafulhice” qualquer. Temos recebido alguns telefonemas ameaçadores e ofensivos, sem qualquer importância.

A AIPAN (Associação Industrial de Panificadores do Norte) emitiu um comunicado exigindo fiscalizações e pondo em causa tudo e mais alguma coisa, sem qualquer fundamento. O nosso advogado já esta a tratar do assunto.

Já recebemos uma equipa da ASAE a procurar por ilegalidades na nossa parceria com a escola, no licenciamento e não só. Obviamente nada irregular foi detetado e a inspetora confessou ter sido uma queixa de concorrentes. Felicitou-nos pela ideia e pela montagem.

No mesmo dia tivemos uma inspeção do Ministério do Trabalho que procurava irregularidades e trabalho gratuito dos alunos. Estes estavam a ter aulas e foi tudo clarificado sem existir qualquer dúvida da transparência do nosso funcionamento. No fim também admitiram ser queixas de concorrentes.É normal, e estamos preparados para isso.

O Low Costa.Com poderá ser um projecto a “franchisar?
Sem dúvida. Estou a aguardar que passem alguns meses para que se consolide o funcionamento , que se corrijam algumas questões e irei converter outra pastelaria que temos em Santa Maria da Feira. Deverá ser a loja piloto no próximo verão. Será franchisada mas em loja própria.

O franchising deverá ser também ser low-cost , sem royalties nem custos mensais , só um valor inicial e um pagamento anual opcional por receber formação de novos produtos. Salvaguardarei o perímetro de concorrência entre lojas.

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