Diabo na Cruz, um álbum de viragem no rock português


“Virou!” dos Diabo na Cruz não é um álbum qualquer. É o fim da busca e a resposta à pergunta: é possível mesclar rock com música tradicional portuguesa e, ainda assim, acrescentar criatividade e dinamismo? As tentativas que tinham ouvido não me convenciam.

Actualmente, as gerações na casa dos 20 e 30 anos têm uma boa abertura à música portuguesa. Outras, nas décadas finais do século XX, viveram na onda anglo-saxónica e geraram anticorpos a sons tradicionais, ao Fado, a canções na língua materna, etc. Este ciclo contribui ainda para que na rádio se passe pouca música feita de e para portugueses.

Os Diabo na Cruz não são nova música urbana, como Deolinda e Virgem Suta. Não são reinterpretações populares de velhos cantares como Brigada Victor Jara e Ronda dos Quatro Caminhos, nem fusões pan-europeias com Dazkarieh e Uxu Kalhus. São rock com travo estético e autoral nacional.

Letras, métrica, tonalidade, ritmo, interpretação e, sobretudo, composição, fazem do primeiro álbum de Diabo na Cruz um trabalho singular. Haverá um pré e um pós “Virou!” na cultura nacional. Feita a avaliação dos últimos 10 anos, escolho dois álbuns marcantes no rock português: Humanos e Diabo na Cruz.

A banda de Jorge Cruz, B Fachada, Bernardo Barata, João Pinheiro e João Gil inicia hoje no São Jorge em Lisboa, uma digressão de 10 datas. Oiça o álbum, vá aos espectáculos e avalie por si.

Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 3.03.2010

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