Música e tortura: histórias de guerra moderna


Torturar é uma “arte de guerra” que muda de geografia, época e designação consoante os objectivos de quem a pratica. A música é outra arte que, pese embora seja um exercício de cultura e liberdade de expressão, tem sido apontado como recente método de persuasão. Uma arma de tortura.

No livro “The Men that Stares at Goats”, Jon Ronson fez um apanhado de histórias burlescas do exército americano que estabeleceu mais tarde na série de três episódios “Crazy Rulers of the World”. A ideia base foi recentemente adaptada no filme homónimo que estreia a 6 de Novembro nos EUA e que tem George Clooney no principal papel.

Continuando, num dos episódios o autor investiga sobre os boatos de que em Guantanamo e em quartéis americanos no Médio Oriente se usa música para confissões de prisioneiros. Metallica, Fleetwood Mac, Matchbox Twenty e Drowning Pool são alguns dos nomes grupos citados, mas a lista não fica por aqui. O tema principal das séries infantis “Barney The Purple Dinosaur” e “Rua Sésamo” também é associado, por fontes jornalísticas, a tais práticas. Caricato e trágico.

Se a intenção é diminuir psicologicamente um cativo, até se consegue compreender o papel do rock dinâmico e pesado de Metallica e Drowning Pool. Já o mesmo raciocínio não se aplica com a “Rua Sésamo”. Talvez o objectivo seja vergar um indivíduo pela humilhação? Quem sabe. Contudo, é perfeitamente desajustado o uso de música para tortura. Um duplo desrespeito: pela pessoa humana e pelos autores.

Paradoxo, ou não, é que as entre as bandas preferidas pelos soldados americanos estacionados em terras árabes estão Slayer e Metallica, segundo notícia do “Guardian”.

Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 27.10.2009

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