Como nasce um ídolo?

Como nasce um ídolo? Não sei. Numa era em que se procuram novos ídolos, parece-me que os últimos “génios” carismáticos já fazem parte do pó das estrelas.

Ao se assinalarem os 10 anos do desaparecimento físico de Amália Rodrigues, muitos documentários e análises se fizeram sobre a vida da fadista mas nenhum respondeu à minha dúvida: como uma vendedora de fruta na Rocha Conde de Óbidos se torna num ídolo internacional em poucos anos?

Amália Rodrigues universalizou o Fado, uma canção urbana de um país europeu à beira mar plantado, e estabeleceu-se como uma das personagens míticas da canção do século XX a par de Edith Piaf, Maria Callas e Frank Sinatra. Como?

A genialidade constrói-se. Amália agarrou oportunidades com um talento e carisma invulgares em espectáculos, rádio, discos e cinema. Conseguiu fazê-lo com a oposição portuguesa de “sábios” da literatura, música e política. Mas ao rancor de certas “elites” do seu sentido de rasgo e inovação, as camadas populares responderam de braços abertos.

A internacionalização de Amália tornou-a numa personagem cosmopolita e atemporal. Hoje em dia, acompanharia o gosto do nosso tempo.


Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 15.10.2009

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