Baillywood – o Verão português


A maior indústria do Verão não é a do gelado, a do caracol nem é a do futebol de pré-temporada. É a do baile.

Novos e velhos, com ou sem carta mas com a situação militar resolvida, magros ou menos inchados, gostam de rodopiar ao som dos “standards” da música portuguesa produzida por “baillywood”. Os sucessos da inspiração sonora nacional compreendem também orquestrações da alta Baviera, ritmos africanos, marchas afrancesadas, “arrazoados” do nordeste brasileiro, valsas austríacas e letras de amor (e deboche) em português de Portugal.

Um baile é um ex-líbris civilizacional, um Rock in Rio em ponto pequeno, o exercício físico e mental de gerações que visitam a sua terra em Agosto. Conquanto, não há festa de cidade do litoral que dispense um “forró” providenciado por Quim Barreiros, Emanuel ou outros dignos estandartes do “baillywood” luso.

Tudo isto a propósito da projecção de “Aquele Querido Mês de Agosto” no próximo Sábado, 29 de Agosto, na RTP 2. A película de Miguel Gomes foca o interior veraneante e festivo num formato que não é ficção nem documentário mas talvez uma súmula dos dois “códices”. Neste que é um dos melhores filmes portugueses da década, a instituição baile está bem retratada com Marante & Diapasão e é um dos pontos “giratórios” da acção.

Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 27.08.09

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