Do Megafone 5 ao futuro da música portuguesa


Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 5.11.2009

Ontem, quem esteve no grande auditório CCB viveu uma noite que jamais esquecerá. O concerto Megafone 5 não foi uma “celebração”, “recordação”, “homenagem” a João Aguardela. Para mim, foi o primeiro “assalto” de uma iniciativa que vai reforçar a criatividade e genialidade da música de raízes portuguesas.

Ao longo de três horas, entre as actuações, visionaram-se excertos de João Aguardela enquanto voz de comando dos Sitiados, líder dos “anónimos” Megafone e do projecto que nasce em www.aguardela.com .

Pela primeira vez, vi os Gaiteiros de Lisboa ao vivo. Questionei-me por várias vezes: como é que conseguem ser melhores em palco do que em disco? Excelente actuação da banda que, para mim e na actualidade, melhor resume e (re)cria a música portuguesa.

Oquestrada é um misto de teatro de rua com música, teve uma actuação pautada com alguns percalços… de palco. Há algo que falta na engrenagem no agrupamento de Almada para que seja um valor confirmado.

A banda de Tó Trips e Pedro Gonçalves, os Dead Combo, registaram uma actuação sem falhas, provando que a música instrumental de cordas tem lugar no cenário português.

Ao projecto A Naifa coube encerrar, em grande, este primeiro acto do projecto Megafone 5. Sandra Baptista, acordeonista de Sitiados e companheira de João Aguardela, assumiu o baixo e em pouco mais de meia hora passaram em revista temas dos três álbuns da banda, com a ajuda de alguns amigos que participaram em dois temas. Maria Antónia Mendes contou um episódio até há poucos dias desconhecido do público em geral. As letras do último álbum foram escritas por Aguardela sob o nome da avó paterna. Os elementos da banda só descobriram após a sua morte.

Embora o espectáculo tenha sido transmitido pela Antena 3, jamais o éter pode passar os sentimentos dos minutos finais do concerto Megafone 5. Com os vários artistas em palco, e com o público em pé a aplaudir, Sandra Baptista e Luís Varatojo expressaram os seus sentimentos quanto ao projecto.

Juntaram-se a eles a mãe e o pai de João Aguardela que, entre forte emoção de toda a sala, revelaram o amor que o filho tinha pela música e o sentido agradecimento às forças motrizes do movimento, Sandra e Luís, e a todos os que apreciavam/apreciam o trabalho do João. Um momento único que nos leva a pensar sobre o valor da vida humana.

João Aguardela vive.

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