Arte, sons e extermínio


Nas idas ao cinema neste Inverno revimos momentos da II Grande Guerra Mundial em vários filmes. “O Leitor”, “O Rapaz de Pijama às Riscas”, “Valquíria” e “Resistentes” descreveram o inconformismo e o drama criados pela investida armada da ideologia nazi.

A dilaceração de uma das camadas instruídas de sociedades europeias fez-se a um preço inestimável. O filme “O Pianista” exemplifica a destruição cultural, pelos olhos de Wladyslaw Szpilman, compositor e intérprete judeu que ficou enclausurado em Varsóvia.

Assim como se deslinda vida nos ambientes mais extremos do planeta, a música também acompanha a humanidade nas suas maiores aberrações. Falo dos campos de concentração e dos guetos nazis.

Durante a guerra, Auschwitz teve seis orquestras que somavam entre 100 a 120 músicos. Fania Fenelon, membro de um agrupamento feminino deste campo de extermínio, conta na sua autobiografia “Playing for Time” que tinha de interpretar música “alegre, leve e marchas durante horas a fio enquanto os seus olhos presenciavam a ida de milhares de pessoas para as câmaras de gás”.

O campo de Terezín, na ex-Checoslováquia, ‘acolheu’ músicos que produziram composições durante os meses em que estiveram cativos: Viktor Ullmann, Gideon Klein, Hans Krása e Pavel Haas. Deste último, é conhecida a obra “Study for String Orchestra” que data de 1943. O seu ser pode ter sido extinto em Auschwitz em 1944, mas a obra ficou.

Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 18.03.2009

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