2009 musical: Balanço e contas


1. A música não acabou. Mesmo com a morte de Michael Jackson e com a pirataria que “abrasa” as editoras, o mundo dos sons não perdeu vitalidade. Mais autores e novos álbuns comprovam que a música só morrerá quando um humano deixar de gostar da fazer e ouvir.

2. Mais espectáculos. Vários artistas portugueses confirmam que neste ano de “crise” realizaram mais actuações. O Verão foi bem recheado de festivais. Os conhecedores apontam explicações sociológicas – “em tempos de crise as pessoas querem-se divertir”.

3. Flor Caveira. De quando em vez, um pujante e descomprometido projecto editorial que marca uma geração. Pela mão da editora de Tiago Cavaco são lançados autores a cantar na língua mãe e a recriarem música até com raízes portuguesas. B Fachada, Samuel Úria, Os Golpes, Pontos Negros, Diabo na Cruz e Tiago Guillul. Os novos “Rui Velosos” e “Xutos e Pontapés” estão entre esta lista e merecem mais oportunidades por parte dos média comerciais (certas rádios e TV).

4. Perdas irreparáveis. Com a saída de cena de João Aguardela e António Sérgio, perde-se a divulgação da “outra” música na primeira pessoa. A sua génese será de agora em diante a vontade de outros. O fim do programa “Lugar Ao Sul” (Antena 1) também foi um marco negativo. Era especial a selecção de música portuguesa com que adornava conversas.

5. Destaques 2009. A boa música é aquela que ouvimos vezes sem conta. Sem corantes, conservantes e aditivos dançantes. Esta é a minha definição de “melhor música” e com a qual destaco os artistas que me enchem as medidas em 2009. Carminho “Fado”, Virgem Suta “Virgem Suta”, Bizarra Locomotiva “Álbum Negro”, Alice in Chains “Black Gives Way to Blue”, Diabo na Cruz “Virou!”, Uxu Kalhus “Transumâncias Groove”, entre outros. A escolha maioritária de nomes nacionais não é forçada, mas uma realidade: em Portugal há autores de primeira água.

6. Espectativas 2010. Para o próximo ano, faço votos que tenham mais oportunidades os artistas que amam o que criam. Espero que me surpreendam em áreas como a fusão entre o tradicional e urbano. Como discordo do que diz David Fonseca “na música já tudo foi inventado”, aguardo bons trabalhos de Gaiteiros de Lisboa, Deolinda, Orphaned Land, Aduf, etc.

7. DelFINS. A tão apregoada saída de cena dos Delfins ocorre a 31 de Dezembro na baía de Cascais. Hoje em dia os “fins” programados já fazem parte da carreira de uma banda ou artista. Por falta de inspiração, atrito, cansaço, acabam as carreiras, que resplandecem anos depois nem que seja só para uma tournée de concertos cirúrgicos. Este ano tivemos como exemplo os Faith No More, Skunk Anansie, Creed, The Cranberries, Guano Apes, etc. Os Delfins voltam de seguida. É um “fado normal”.

Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 31.12.2009

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