Política 2.0 à portuguesa


[este artigo foi escrito para o blog do TwitterPortugal e publicado a 14.05.2009]

Segundo a edição de ontem do jornal i, José Sócrates vai colaborar com equipa de Barack Obama nas próximas eleições legislativas. A Blue State Digital (BSD), é a empresa responsável pelas estratégias de social networking que levaram o candidato do partido democrata à presidência dos EUA.

A ligação ao PS só será oficializada em Junho. A BSD está bem cotada no universo da comunicação política mas a sua estratégia vencedora está pouco analisada:

1. Organizing without an organization: the Obama Networking Revolution (IRPP)

2. Case Study: My.barackobama.com (BSD)

3. Obama’s Secret Digital Weapon (Business Week)

4. The Secrets of Obama’s Sucess (ABC Australia)

5. The Geeks Behind Obama’s Web Strategy (Boston Globe)

6. Is this man the future of politics? (The Guardian)

A BSD poderá ter sido a primeira consultora a perceber como tirar partido da Web 2.0, organizando campanhas integradas onde a estratificação do marketing em “below the line”, “above the line” ou simples “online” perde sentido. Como diz Martim Avillez Figueiredo, director do i, para fazer política 2.0 “não basta colocar perfis no Facebook ou no Twitter“.

É um dado concreto que os partidos portugueses estão registados em várias redes sociais. Responsáveis políticos e de comunicação contactados pelo jornal têm dúvidas quanto à eficácia de estratégias de comunicação digital aplicadas ao nosso contexto social. Sofia Grilo, gestora de sites institucionais do PCP disse: “continuamos convictos de que o contacto pessoal e directo continua a ser a melhor arma”. Salvador da Cunha, presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas (APECOM) assinala que “o nosso eleitorado ainda está um pouco distante destas tecnologias. Ainda não chegámos à altura de substituir os tempos de antena na televisão pelos discursos no YouTube“.

José Sócrates e o PS podem beneficiar do social networking. A BSD terá de conhecer o contexto nacional sabendo que:

1. Não existe uma prática na captação de fundos a cidadãos particulares como na politica americana;

2. José Sócrates não tem um BlackBerry, nem fez trabalho voluntário de bairro após a faculdade;

3. O envolvimento e patriotismo dos cidadãos americanos não é comparável com os portugueses;

4. Barack Obama apresentou “esperança”, o candidato do PS defende um mandato legislativo;

As ferramentas de comunicação não fazem milagres. O contexto, a mensagem, o líder, o público são as variáveis que os partidos vão utilizar no jogo. As plataformas de social networking funcionam, é necessário saber é como as utilizar. Hillary Clinton e John McCain posicionaram a sua comunicação nos media tradicionais. Barack Obama partiu em desvantagem, utilizou um discurso de esperança, o seu carisma e uma campanha de envolvimento dos cidadãos assente na tecnologia. Ganhou.

No arranque das primárias democratas, uma pequena percentagem dava como certa a vitória de um afro-americano às presidenciais dos EUA. Conseguiu utilizando a melhor estratégia para o eleitorado que queria conquistar. John Kennedy venceu as eleições a Richard Nixon com a televisão, Barack Obama com a Internet.

Thomas Genseme, BSD, diz ao The Guardian que envolver “não se trata de um desafio tecnológico; é um desafio de organização, ser capaz de comunicar com as pessoas“. É este o sentido que as estratégias de marketing digital dos partidos políticos portugueses têm de seguir.

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