Gabriel Silva publicava no Blasfémias, um dia antes do dia de São Valentim de 2009, os 10 Mandamentos do webjornalismo tuga. O primeiro – “não linkarás” – continua actual.
Mediabooks adere às redes sociais na internet (Briefing)
Divulga-se a notícia, os nomes das ferramentas onde a mediabooks se apresenta mas não os links. É necessário ir ao portal do grupo Leya para entender que as ferramentas são de indexação. A iniciativa é interessante e, pelo que me é dado a conhecer, ainda ímpar em Portugal. Há múltiplas formas de um organização “aderir às redes sociais” e é necessário que se informe qual é a estratégia, de que forma se implementa, quando e porquê.
Magazine «Imagens de Marca» no Facebook e Twitter (Diário Digital)
Idem. Há informação sobre a entrada do programa da SIC Notícias nas duas redes sociais mais faladas do momento, mas não há links. Dias depois, o mesmo meio, opta por fazer o inverso numa peça sobre o Metro do Porto Positivo, mas mais coerência por favor.
Google acompanha popularidade no Festival Eurovisão da Canção (Jornal de Notícias)
Mini-aplicação? Onde está? Como é? Quando? A informação que consiste numa solução online, perde o sentido ao ser revelada apenas por texto. Que tal ser complementado com imagem e ligação?
Portanto, não “linkar” é:
1. Desinformar;
2. Fazer um trabalho insuficiente e passivo;
3. Valorizar o trabalho de “prosumers” (que linkam);
4. Perder leitores, reputação, “clicks”… e publicidade;
Em qualquer negócio, o valor acrescentado de um serviço é tudo. Por este motivo a The Economist é uma revista com público fiel, reputação intacta, poucos anúncios e em que boa parte das receitas é realizada na venda dos seus números de papel.
Mas o jornalismo digital não pode existir como se vivesse na realidade de há 15 anos, onde emissor e receptor comunicavam indirecta e diariamente. Agora o leitor solicita notícias ao minuto, sintéticas e documentadas. Há ferramentas que não dispensa por informação e satisfação. Links e comentários fazem parte da vida multimédia das sociedades actuais, em que o jornalismo participa.
As restrições deontológicas, que são a desculpa para a “não linkar”, têm de ser ultrapassadas assim como o receio, a passividade ou a falta de experiência; de forma a valorizar a empresa de média, os accionistas e satisfazer as necessidades dos leitores.


