John Zorn e Legendary Tiger Man editaram em 2009 álbuns sob o nome “Femina”. Distanciados no espaço, tempo e sonoridade, recorrem a semelhante modus operandi na homenagem que fazem ao género feminino. Para o primeiro é genialidade, para o segundo paixão, para ambos inspiração.
No novo álbum de Paulo Furtado (Legendary Tiger Man), o blues rock canta-se com voz feminina. Rita Redshoes, Cláudia Efe, Cibelle, Phoebe Killdeer, Lisa Kekaula, Asia Argento, Peaches, Maria de Medeiros e Mafalda Nascimento participam em originais e clássicos como “These Boots Are Made For Walkin’” conhecida pela voz de Nancy Sinatra.
John Zorn compôs o novo trabalho com o pensamento em algumas figuras que o marcaram: Hildegard von Bingen, Louis Bourgeois, Gertrude Stein, Sylvia Plath, Meredith Monk, Yoko Ono e não só. O som de “Femina” não tem fronteiras, tanto navega pela música ambiental como pelo frenesi caótico. As peças são interpretadas por um sexteto exclusivamente de mulheres.
Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 21.12.2009
Os vampiros andam entre nós desde que Bram Stoker cunhou o género. Em 1897 era editado “Dracula” e a partir dessa data sucederam-se “represálias” no teatro, sétima arte, tv e música.
Actualmente, o sangue e a eternidade vampresca vive grande pujança nas indústrias culturais. “Twillight”, “True Blood” e “Vampire Diaries”, sagas escritas adaptadas ao ecrã, prometem estender a tendência vermelha pelo menos por mais quatro anos.
Na música, tenho a agradável recordação de “Night of the Vampire” original de Roky Erickson interpretado pelos suecos Entombed. A banda pioneira do Death Metal europeu gravou este tema para o split EP com The New Bomb Turks editado em 1995. Nele insistia na fusão Rock Metal do qual “Wolverine”, prévio CD, tinha sido estandarte.
O vídeo foi gravado com baixo orçamento mas com um alto espírito de galhofice. Era um dos pontos altos de quem via programas como o “Headbangers Ball” da MTV há pouco mais de uma década.
Artigo publicado a 2.12.2009 no Do Vinil ao Digital
“Baraka”, documentário de paisagens humanas, serve de inspiração para vários trabalhos multimédia. Alguns deles são homenagens a momentos e grupos musicais.
É o caso de “Goodbye Sober Day” do terceiro álbum de Mr Bungle. A sua estrutura musical, que vai beber a tantos sons globais, tem nestas imagens a roupa perfeita.
Os Tool são uma banda americana conhecida pelos seus vídeos em “stop-motion”, mas um fã inspirado levou o tema “Disposition” a passear em imagens do estranho mundo em que vivemos.
Annie Mac da BBC Radio 1 passou Buraka Som Sistema e houve quem gostasse tanto que decidiu editar visualmente o que ouvia. Sim, o grupo português também tem um vídeo “Barakiano”.
Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 05.12.2009
Recentemente, Portugal foi visitado por dois fantasmas dos anos noventa. The Prodigy e Massive Attack. A 10 de Março do próximo ano é a vez dos The Cranberries nos presentearem com os seus mega-sucessos no Campo Pequeno.
Com parte do actual milénio no estaleiro, as três bandas atravessam um período de seca de criatividade. Não lhes é conhecido nenhum sucesso desde os anos noventa, ao ponto da promoção aos concertos de The Prodigy se ter baseado em temas dos álbuns “Music for the Jilted Generation” ou de “The Fat of the Land” e de “Mezzanine” no caso dos Massive Attack.
Ainda em alta, a nostalgia dos anos oitenta vai passar a ter concorrência pesada na década que lhe sucedeu. Há grupos que mais não podem fazer do que viver do toque e “retoque” dos sucessos, quais Moody Blues a actuarem no Casino do Estoril. Verdade seja dita que este cenário de carreira comercialmente tem correspondido com concertos cheios de público ávido.
Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 17.12.09
Torturar é uma “arte de guerra” que muda de geografia, época e designação consoante os objectivos de quem a pratica. A música é outra arte que, pese embora seja um exercício de cultura e liberdade de expressão, tem sido apontado como recente método de persuasão. Uma arma de tortura.
No livro “The Men that Stares at Goats”, Jon Ronson fez um apanhado de histórias burlescas do exército americano que estabeleceu mais tarde na série de três episódios “Crazy Rulers of the World”. A ideia base foi recentemente adaptada no filme homónimo que estreia a 6 de Novembro nos EUA e que tem George Clooney no principal papel.
Continuando, num dos episódios o autor investiga sobre os boatos de que em Guantanamo e em quartéis americanos no Médio Oriente se usa música para confissões de prisioneiros. Metallica, Fleetwood Mac, Matchbox Twenty e Drowning Pool são alguns dos nomes grupos citados, mas a lista não fica por aqui. O tema principal das séries infantis “Barney The Purple Dinosaur” e “Rua Sésamo” também é associado, por fontes jornalísticas, a tais práticas. Caricato e trágico.
Se a intenção é diminuir psicologicamente um cativo, até se consegue compreender o papel do rock dinâmico e pesado de Metallica e Drowning Pool. Já o mesmo raciocínio não se aplica com a “Rua Sésamo”. Talvez o objectivo seja vergar um indivíduo pela humilhação? Quem sabe. Contudo, é perfeitamente desajustado o uso de música para tortura. Um duplo desrespeito: pela pessoa humana e pelos autores.
Paradoxo, ou não, é que as entre as bandas preferidas pelos soldados americanos estacionados em terras árabes estão Slayer e Metallica, segundo notícia do “Guardian”.
Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 27.10.2009
Os Peste & Sida comemoram este ano os 20 anos da edição de “Portem-se Bem”. No seu segundo álbum estavam incluídos temas que garantiram muito airplay nas rádios: “Chuta Cavalo”, “Paulinha” e “Sol da Caparica”.
Em 2009, a banda liderada pelo baixista João San Payo regrava “Sol da Caparica”. A letra foi reformulada e apela a sentimentos de ecologia e bem viver. Deixa o “descapotável pela ponte com o cabelo a voar” e substitui-o pelas duas rodas das bicicletas, pela ciclovia Trafaria – Costa da Caparica e pelo cacilheiro de Belém até à outra margem.
A nova pele de “Sol da Caparica” associa-se à Câmara Municipal de Almada e à Agência Municipal de Energia de Almada. O tema é divulgado hoje, 17 de Setembro, dia da Bicicleta da Semana Europeia da Mobilidade, data da inauguração do percurso de ciclovia Trafaria-Costa da Caparica.
Os Peste & Sida apresentam o single “Sol da Caparica, na minha bicla” pelas 18 horas no Centro de Interpretação Ambiental na Costa da Caparica.
Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 17.09.2009
Cláudio Bravo dirige a BytePR, agência de comunicação e marketing de Social Media. O projecto nasceu numa rede Ning sendo um hobby que, em poucos meses, criou laços sérios entre especialistas espanhóis da área. Envolveu, uniu e constituiu-se como empresa para a prestação de serviços nos media sociais. Qual o segredo para converter uma rede de nicho num projecto profissionalizante? Esta questão foi o mote da entrevista que se pode ler de em seguida.
O que é a BytePR?
A BytePR é uma rede social para profissionais de comunicação e marketing. É um sítio para partilhar experiências e manter-se a par das últimas tendências.
No tempo do domínio do Facebook ou LinkedIn, há quem ache uma loucura criar uma rede social e convocar pessoas. Como se faz essa “sedução”?
Na BytePR diferenciamo-nos oferecendo qualidade nas relações entre os membros. É uma rede fechada. Incentivamos os novos utilizadores a colocar uma foto e a participar. Como comunicadores, devemos dar o exemplo e não são permitidos os perfis anónimos. As pessoas sentem-se identificadas e confiantes na rede e isso reflecte-se na excelente qualidade dos tópicos abordados. Isto não se encontra em redes generalistas como o Facebook ou o LinkedIn.
A BytePR era um hobby mas tornou-se a tua empresa, o que é o sonho de muitas pessoas activas em Social Media. Como se consegue?
A BytePR começou como um hobby que cresceu ao ponto de se tornar um negócio. Acho que com envolvimento e paixão pelo que realmente gostamos, tudo se consegue. No meu caso, é a comunicação. A BytePR tem sido capaz de crescer graças a muitas horas de esforço, mas também porque desfruto o que faço. A chave do sucesso é oferecer um serviço útil para que se envolvam e regressem ao site.
Enquanto agência de comunicação, a BytePR trabalha só no mercado online?
Somos uma agência híbrida, os nossos consultores têm experiência de trabalho com médias tradicionais e estão capacitados para fazer relações públicas em Social Media. Também oferecemos serviços em gestão de eventos e comunicação, comunicação interna, web design corporativo, blogues, etc.
O meio online, não sendo o contexto em que as RP nasceram, tem inevitavelmente de ser abordado por estas. Existem RP para a internet 2.0?
Claro que existem relações públicas 2.0. Efectuam-se na gestão das relações entre empresas e seus públicos, na construção de comunidades em torno de produtos e serviços. As relações públicas online focam-se no consumidor de bens e serviços e não jornalistas, objecto das tradicionais RP.
As agências de RP espanholas estão preparadas para a cada vez maior digitalização das relações de comunicação?
Gradualmente, as agências espanholas estão a criar divisões de comunicação online. Estão a cumprir uma necessidade do mercado, mas penso que estão a dar um ou dois passos atrás. Ao abrir áreas específicas de comunicação online, oferecem serviços adicionais na sua oferta (e com as taxas em separado). Agências como a nossa, integram RP 2.0 num serviço abrangente que inclui também os meios de comunicação tradicionais. Acreditamos que as agências do futuro têm de ser capazes de fornecer visibilidade online e offline, para que as suas estratégias sejam globais.
As RP 2.0 são gerais em Espanha? Que áreas e empresas poderiam beneficiar com estas?
Há muitas empresas deviam começar a usar ferramentas de Social Media, inclusive as instituições públicas. Ainda há muito a fazer. É raro ver um serviço público a responder às preocupações dos cidadãos através do online. Por exemplo, gostaria de ser esclarecido de certas dúvidas de finanças através do Twitter. Quem sabe através de um grupo Facebook, com perguntas frequentes colocadas por cidadãos que teriam a sua pela acção de funcionários públicos ou por pessoas que já tenham realizado certo procedimento.
Quais as metas da BytePR para 2010?
Queremos materializar a nossa presença online nas principais cidades espanholas, passar a organizar eventos mensais em torno da rede e oferecer uma formação sobre questões de comunicação para as pessoas que se iniciam no sector.
Esperamos consolidar-nos como uma agência de comunicação 2,0. de especialistas em Relações Públicas e marketing em social media do mercado espanhol.
Entrevista publicada no Diário2 a 18.02.2010
Na música há sempre uma oportunidade, mesmo para as bandas cujos membros se incompatibilizaram. Frequentemente, retomam as rotinas pela paixão da música, pelo apreço aos fãs, mas também por terem na capitalização do nome do grupo a melhor fonte de receitas das suas vidas.
Skunk Anansie e Guano Apes foram nos finais dos anos 90 duas das mais conhecidas bandas no contexto pop-rock europeu. O seu percurso é idêntico: nasceram em 1994, findaram já neste século e retomaram actividade em 2009. Durante o interregno os membros de ambas as bandas tiveram tempo para descansar e experimentar o insucesso com projectos menores.
Se Skunk Anansie regressa com o propósito de promover um trabalho “best of” com uma tournée, não descurando a gravação de originais, já os Guano Apes retomaram a carreira após uma tournée de despedida de 2005 com concertos de Verão.
Em 2009 os dois grupos passam por Portugal, território onde foram felizes. A primeira actuação em quase cinco anos dos Guano Apes foi em Braga, no Enterro da Gata em Maio último. Já os ingleses Skunk Anansie actuam no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 3 de Novembro e no Coliseu do Porto a 4 de Novembro.
Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 20.10.2009
Como nasce um ídolo? Não sei. Numa era em que se procuram novos ídolos, parece-me que os últimos “génios” carismáticos já fazem parte do pó das estrelas.
Ao se assinalarem os 10 anos do desaparecimento físico de Amália Rodrigues, muitos documentários e análises se fizeram sobre a vida da fadista mas nenhum respondeu à minha dúvida: como uma vendedora de fruta na Rocha Conde de Óbidos se torna num ídolo internacional em poucos anos?
Amália Rodrigues universalizou o Fado, uma canção urbana de um país europeu à beira mar plantado, e estabeleceu-se como uma das personagens míticas da canção do século XX a par de Edith Piaf, Maria Callas e Frank Sinatra. Como?
A genialidade constrói-se. Amália agarrou oportunidades com um talento e carisma invulgares em espectáculos, rádio, discos e cinema. Conseguiu fazê-lo com a oposição portuguesa de “sábios” da literatura, música e política. Mas ao rancor de certas “elites” do seu sentido de rasgo e inovação, as camadas populares responderam de braços abertos.
A internacionalização de Amália tornou-a numa personagem cosmopolita e atemporal. Hoje em dia, acompanharia o gosto do nosso tempo.
Artigo publicado no Do Vinil ao Digital a 15.10.2009
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